Educação Visual
A Arte do desenho no Museu de Arte Antiga
Alinha apropria-se da folha, dá-lhe vida. Com o passar do tempo, já não são apenas contornos, são manchas que adquirem volume , que preenchem o papel, que descrevem movimentos, que expressam sentimentos e emoções e que, finalmente, ganham luz e criam sombras.
Este é o percurso, pela história do desenho e pelas obras dos Grandes Mestres do Desenho , que o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa apresenta ao público até 22 de Abril. Em exposição estão cerca de 270 desenhos de conceituados artistas portugueses e estrangeiros, como Rembrandt, Perugino, Vasari, Correggio, Poussin ou Domingos Sequeira.
Os desenhos, seleccionados entre as quase 6 mil obras (de entre os séculos XV e XIX) que pertencem ao acervo do MNAA, encontram-se distribuidos por oito núcleos: Linha, Mancha, Volume, Espaço, Movimento, Expressão, Luz e Sombra.
A organização destas peças foge a uma ordem cronológica, pois o objectivo é “privilegiar o acto do desenho” e mostrar como este “é um laboratório da experiência artística”, explicou Alexandra Markl, uma das comissárias da exposição, juntamente com Maria Trindade Mexia Alves e Regina Peixeiro.
Em Grandes Mestres do Desenho, a presença portuguesa é feita por um importante conjunto de desenhos de pintores maneiristas do século XVI, com alguns trabalhos de artistas do século XVII, como Vieira Lusitano e Pedro Alexandrino, e ainda com a referência constante a Domingos António de Sequeira. O “maior desenhista português”, segundo Alexandra Markl, foi o artista escolhido para encerrar todos os núcleos da exposição.
No plano internacional, o espólio do MNAA reúne um vasto grupo de desenhos de grandes mestres italianos do Renascimento e do Barroco, tais como os citados Perugino, Correggio e Vasari. Estão também incluídas obras de referência de artistas flamengos, espanhóis, holandeses, alemães e ingleses.
Um século depois da publicação do primeiro catálogo sobre esta colecção, em 1905, o MNAA espera que a exposição contribua para “um maior conhecimento de parte importante do património nacional”. “É uma exposição absolutamente extraordinária”, diz Dalila Rodrigues, directora da instituição. Mas devido à grande fragilidade dos desenhos e aos cuidados de preservação que requerem estas obras, esta é também “uma oportunidade única”para apreciar grandes obras do panorama nacional e internacional, que normalmente “estão longe do olhar do público”, acrescenta Alexandra Markl.
Grandes Mestres do Desenho é também o resultado da relação de parceria/mecenato entre o MNAA e o Millenium bcp. A colaboração entre as duas instituições dura há três anos e envolve um valor de 1.5 milhões de euros.
“Tenho um carinho especial por este museu”, admitiu Paulo Teixeira Pinto, Presidente do Millenium bcp, durante uma visita guiada à exposição, na terça-feira. E aproveitou ainda para tecer largos elogios à “inovação e criatividade” do MNAA.
Para conhecer melhor estes valiosos desenhos, há visitas guiadas à exposição, promovidas pelo sector de educação do museu, todas as quartas-feiras, pelas 15.00. No domingo, dia 2 de Abril, excepcionalmente, pode tomar contacto com a arte do desenho a partir das 11.3o.